jueves, marzo 02, 2006

PROYECTO EN BRASIL










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"Repertório Sul Americano para Sopros: Variedade de Estruturas, Cores e Sotaques"


* por Dario Sotelo

O Repertório Sul Americano para sopros é o resultado das culturas estabelecidas nos países da América do Sul, que receberam uma colonização muito diversa, não só pelo elemento europeu, mas principalmente pelos povos encontrados, nações e tribos também com culturas muito diferentes. Tendo os Espanhóis e Portugueses, como seus principais colonizadores e encontrando todo este universo cultural, estabeleceu-se uma forte identidade cultural e musical para cada um dos países da América do Sul, fazendo nascer uma diversidade de danças e estilos impressionante, com uma música folclórica e popular extremamente rica e colorida. No Brasil, durante 350 anos foram trazidos os negros africanos que fortaleceram ainda mais riqueza e variedade de estilos e danças de sua música.
A idéia principal deste artigo é dar a conhecer, de forma geral, a beleza desta variedade musical enfatizando a diversidade de formas, diferentes coloridos e sotaques da manifestação musical dos países da América do Sul.

Referências Históricas e Diversidade de Culturas

Ao encontrar nações ou tribos indígenas diferentes, o colonizador estabelecerá relações culturais distintas, com a música destes povos, originando ritmos, melodias, escalas que por sua vez darão origem a estilos musicais que identificam claramente estes países, que hoje estão divididos politicamente com conhecemos, mas que em muitos casos suas culturas ultrapassam estas fronteiras, como exemplo, podemos citar, a cultura amazônica e a dos pampas, brasileiros e uruguaios.
No Brasil, além de ter os portugueses como colonizadores, os africanos tiveram um peso muito grande na formação de toda a cultura e em especial na música brasileira. O europeu, indígena e o africano são os elementos formadores de todo o espectro musical, tendo-se hoje documentado mais de 2000 ritmos e estilos diferentes.

Repertório Original para Banda Sinfônica

Antes de começarmos a abordagem dos aspectos propostos para este artigo, é necessário enfatizarmos a importância da música folclórica e popular, resultante do encontro das diversas culturas, para os compositores sul americanos. Está música pode ser a base para uma obra de caráter nacional ou pode aparecer completamente universalizada, influenciando compositores de diferentes tendências.
Como exemplo podemos citar... De Tango de Vicente Moncho (Argentina), onde encontramos o caráter universal do tango, através de alguns motivos, e Retratos do Brasil de Hudson Nogueira (Brasil), com diversos estilos de ritmos brasileiros mostrados literalmente.

Variedade de Estrutura – Forma Musical

Podemos afirmar que as formas musicais tradicionais (sinfonia, suíte, fantasia, poema sinfônico, etc), bem como a forma musical das canções ou danças folclóricas, são as mais comumente utilizadas. Porém, vários compositores tem estabelecido outros procedimentos composicionais, dando origem a outras estruturas musicas, mais uma vez citamos o Maestro Moncho (Argentina) com sua “Musica para Violin e Vientos” onde utiliza motivos de tango, completamente universalizado, tornando-se um meio para a expressão das idéias do compositor.
Outros compositores tem tomado a forma de danças, folclóricas ou populares, e expandido-as, criando obras com estrutura formal própria, e porque não dizer novas formas musicais, assim temos o “choro” popular brasileiro expandido para o choro sinfônico.

Cores Diversas

Na música folclórica de cada país ou região da América do Sul, são empregados “sets” de instrumentos de percussão que fazem parte da cor sonora exigida pelo estilo musical de determinada dança.
Não somente vamos encontrar instrumentos de percussão diferentes, mas também instrumentos tradicionais, sendo tocados de acordo o timbre do próprio estilo. Estes ambientes musicais são, muitas vezes, capturados pelos compositores para transformá-lo do potencial timbrístico da banda sinfônica. A Sinfonia sobre temas indígenas (Anoia) de Sergio Vasconcelos Correa (Brasil), revela as cores do ambiente musical das tribos dos Índios Parecis, através de linguagem polifônica e modal.

Sotaques

Na linguagem falada, podemos encontrar diferenças de sotaque entre o espanhol praticado nos vários países da América do Sul, sem mencionar as diferenças entre o português e o espanhol. Da mesma forma a música destes países tem sotaques diferentes, que podem ser observados nos ritmos das danças que representam estas culturas. Quanta diferença existe entre o Samba brasileiro, o Tango argentino e o Bambuco colombiano.
Com seus próprios “sotaques”, os compositores têm transportado estas características para suas obras, ouvimos em “El Sueño Encantado” de Luis Nani – Argentina, os motivos rítmicos da música Argentina, como o Bambuco na obra de Blas Atheortua – Colômbia, ou o sotaque sinfônico de “Sabbath” de Edson Beltrami – Brasil.

Instituições Responsáveis pela Encomenda de Obras Originais para Sopros

A renovação e encomenda de repertório original para banda sinfônica está, geralmente, a cargo de grupos profissionais, tais como: Argentina (Banda Sinfonica Municipal de Buenos Aires e Banda Sinfonica da Provincia de Córdoba); Venezuela (Banda Marcial de Caracas); Uruguai (Banda Sinfônica Municipal de Montevideo); Equador (Banda Sinfônica Municipal de Quito); Colômbia (Banda Sinfônica Nacional de Bogotá); Brasil (Conservatório de Tatuí, Orquestra de Sopros Brasileira, Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Banda Jovem do Estado de São Paulo, Banda Sinfônica da CSN, Orquestra de Sopros de Caxias do Sul).
No Brasil, o Conservatório de Tatuí, vem realizando, talvez o maior projeto de comissionamento (encargos) de obras originais da história brasileira, desde 1992, com a criação da Orquestra de Sopros Brasileira, contando mais de 70 obras escritas para este grupo sinfônico. O Conservatório conta com 2 compositores residentes em seus quadros de profissionais, Edson Beltrami e Hudson Nogueira. Tem realizado projetos que visam a distribuição de obras às bandas do Estado de São – Projeto Pró-Bandas – além de gravações em CD de parte deste repertório.

Compositores Sudamericanos com Obras Originais para Banda Sinfônica:

Argentina:
Vicente Moncho, Pablo Dell´Oca Sala, Leandro German Gonzales, Luis Nani, Nestor Alderete, Luis Perez e Santiago Giordano;

Colombia:
Blas Emilio Atheortua e Pedro Sarmiento;

Venezuela:
Federico Ruiz e Sergio Elguin;

Paraguay:
Florentin Gimenez;

Equador:
Segundo Luis Moreno, Wilson O. Haro, Gonzalo Castellano Yumar e Leonardo Palácios;

Brazil:
Amaral Vieira, Alexandre Fracalanza, Alexandre Daloia, Mario Ficarelli, Ronaldo Miranda, Sergio Vasconcelos-Correia, Edmundo Villani-Côrtes, Edson Beltrami, Hudson Nogueira, Daniel Havens, Antonio Carlos Neves Campos, Ricardo Alves, Renato Goulart, João Vitor Bota, Normando Carneiro, Andersen Vianna, André Mehmari e Fernando Moraes

Tendo como objetivo principal tratar deste tema de forma geral, sem nos atermos às particularidades das obras de cada país, ou a análise técnica de uma delas, esperamos que este seja apenas o primeiro artigo de uma série sobre todos os aspectos deste assunto, por outro lado nos colocamos à disposição para quaisquer informações adicionais ou esclarecimentos aprofundados deste tema.

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NOTAS:
* Dario Sotelo é maestro titular da Orquestra de Sopros Brasileira, grupo mantido pelo Conservatório de Tatuí, onde também leciona. Contatos diretamente com o autor: dsotelo@uol.com.br
Artigo enviado pela Acessoria de Imprensa do Conservatório de Tatuí

SIMILARES:
http://www.cdmcc.com.br/cds.htm
http://www.asseta.com.br/cdmcc/conferencia_2004/index.htm

1 comentarios:

A las 10:52 p. m. , Blogger Marcelo Torca ha dicho...

Os Instrumentos de Sopros tem a sua importância dentro da cultura da América do Sul, e o reconhecimento do que existe é a forma de formar os países existentes, pelo menos isso é o que pude concluir de teu texto.
Hoje eu acredito que as classificações de Música Erudita e Popular estão obsoletas, até mesmo devido a formação dos músicos, estão cada vez mais freqüentando escolas de música, mas o preconceito de reconhecer a cultura de um país, e escrever para uma orquestra de sopros, é grande ainda, e partem de diversos setores.
Talvez a forma de eliminar estas barreiras, seja divulgar em mídia, e interferir no processo educacional musical, estimulando um compartilhamento de informações, e cobrando desenvolvimento.
Algo começou a ser feito pelo conservatório de Tatuí, mas ainda são medidas acanhadas, para a grandeza cultural de toda América do Sul.

 

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