lunes, marzo 13, 2006

"Com licença!...", o CD de HARY SCHWEIZER



CORREIO BRAZILIENSE, caderno CULTURA
1º de março de 2006
www.arturdatavola.com
MÚSICA


Por Nahima Maciel
Da equipe do Correio






O fagotista e luthier
Hary Schweizer
lança o primeiro


O som grave de baixo do fagote fisgou Hary Schweizer aos 27 anos. Idade
tardia para dar início ao estudo de um instrumento, ele reconhece. Mas como
a paixão traça lá seus caminhos, o catarinense radicado em Brasília há quase
quatro décadas cedeu e foi estudar fagote. Deixou para trás o piano e
investiu no sopro. Estudou na Alemanha, terra natal de seus pais, e voltou
ao Brasil no final da década de 1970. Há 16 anos, tempos depois de
participar da fundação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio
Santoro e já professor do Departamento de Música da Universidade de Brasília
(UnB), Hary vislumbrou novas trilhas. Inconformado com os preços do
instrumento no Brasil, resolveu montar sua própria oficina de fabricação de
fagote. Foram necessários 10 anos de estudos, pesquisas e tentativas para
chegar a um instrumento cuja sonoridade fosse satisfatória.

É esse mesmo resumo biográfico estampado nas linhas acima que o fagotista
tentou contar nas 21 faixas do CD "Com licença!…." Eclético nos gêneros e na
origem dos compositores, o disco é o primeiro de Hary. “E o último”, avisa.
As dificuldades que rondam a produção de discos independentes não motivam o
instrumentista a seguir adiante. Mas resultam em trabalho de singular
delicadeza e coesão. “É um disco para ouvir como se folheia um álbum de
fotografias. É um pequeno retrato autobiográfico. Não é virtuoso porque não
sou um virtuoso”, avisa o fagotista. Pode não haver virtuosismo algum, mas
certamente estão ali 50 minutos de melodias contemporâneas carinhosamente
lapidadas, sem excessos e nada enfadonhas.

Para começar, "Com licença!…" foi inteiramente gravado com fagotes
construídos por Hary. Quebra uma possível – ainda que remota – monotonia do instrumento
solo a participação da pianista Elza Gushikem, do baterista Paulo Marques e
dos também fagotistas Gustavo Koberstein e Flávio Lopes Figueiredo Júnior. O
quinteto, completado por Hary, está presente em grande parte das faixas, ora
na formação integral, ora desmembrado. Abre o disco a faixa-título Com
licença!…, composição do maestro Júlio Medaglia, um presente para Hary. “Foi
escrita especialmente para o CD e é a única faixa que congrega todos os
músicos envolvidos”, conta. A faixa seguinte, Ária, um trecho da Bachianas
brasileiras nº 5, de Villa-Lobos, é talvez a mais conhecida do disco.
Gravada inúmeras vezes com os mais diversos arranjos, a cantilena tem trecho
escrito originalmente para voz. É onde se encaixa o sopro do fagote,
acompanhado unicamente pelo piano. O efeito é simples e contribui para
ressaltar a melancolia contida na Ária.

Na seqüência, uma pequena jóia: Lua branca, a parte melódica e singela do
conjunto Duas miniaturas brasileiras, de Chiquinha Gonzaga. Novamente o
fagote assume o lirismo do canto que originalmente acompanha os
instrumentos. Entremeados ao popular e ao erudito brasileiro estão três
composições de Achim von Lorne, professor de Hary durante os anos de estudo
na Alemanha. As peças são inéditas e foram escritas para o próprio
instrumentista em forma de estudos. Dois tangos de Emílio Terraza e uma
modinha de Francisco Mignone completam o repertório, que tem ainda Brejeiro,
de Ernesto Nazareth, e três curiosidades.

Jobim

É um mistério o interesse de Tom Jobim pelo fagote, mas é fato que o
instrumento atraiu sua atenção. Mágoas de fagote é uma pecinha curta, não
passa de dois minutos, na verdade o rascunho de uma composição inacabada,
segundo Hary. Em Com licença!… ganhou a primeira gravação. Os ares de
marchinha têm acompanhamento da bateria, discreta mas ritmada por trás do
fagote. Mais adiante, O fagote encontra o jazz, do alemão Andreas
Herkenrath, anuncia o pendor jazzístico de Hary. O fagotista toma a
liberdade de transpor o colorido jazzístico para a Sonata em mi menor de
Benedetto Marcello, compositor italiano do século 18. “Todas essas peças
foram escolhidas em cima da minha história de vida: eu aprendendo, ensinando
e construindo. E no final senti vontade de encontrar o jazz”, explica.
O lançamento de Com licença!…, marcado para abril, será acompanhado de um
curta-metragem de Dora Galesso sobre a atividade de Hary como luthier. O
pequeno documentário mostra os passos da fabricação do instrumento. O
processo é inteiramente artesanal e demorado. Hary leva em média um ano para
construir dois fagotes. E se envolve desde a colheita da madeira até o
polimento das chaves laterais do instrumento, hoje distribuído para todo o
Brasil.

COM LICENÇA!…
Primeiro CD do fagotista Hary Schweizer. Com Elza Gushikem (piano), Paulo
Marques (bateria), Gustavo Koberstein (fagote) e Flávio Lopes Figueiredo
Júnior (fagote). 21 faixas. R$ 25. Pode ser adquirido pelo "site"
www.haryschweizer.com ****

Em Brasília o CD pode ser encontrado na Livraria MUSIMED (W3-505 Sul) e
Livraria CULTURA, Casaparkshopping

"Com licença!...", o CD de HARY SCHWEIZER
www.haryschweizer.com
___________________
Información enviada por Marcelo Torca (Brasil)
http://marcelotorca.palcomp3.com.br
http://www.portalcen.org/revistas/portal
http://www.apademp.org.br
http://autoreseleitores.com
http://gi.palcomp3.com.br

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